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Vegetarianismo e Veganismo: mesmo propósito e caminhos diferentes

Guia de alimentação brasileira oferece alternativas de consumo proteico além da carne



A alimentação é a base para a nossa sobrevivência. É através dela que conseguimos renovar o abastecimento do conjunto de substâncias necessárias à conservação da vida. Ou seja, é a sustentação necessária e insubstituível para que possamos crescer e nos desenvolver física e intelectualmente.


Se nos primórdios o homem caçava o alimento e consumia o que havia, ao seu redor, o homem moderno de hoje consegue separar os tipos de alimentos que necessita, mas de modo racional. O conhecimento possibilitou ao homem a desmistificação das coisas e também às propriedades nutricionais dos alimentos. E ao lado desta visão racional e crítica diante do mundo, surgiria o Veganismo.


O veganismo é o modo de vida que busca eliminar toda e qualquer forma de exploração animal. Não se limitando unicamente na alimentação, mas também no vestuário, em testes, na composição de diversos produtos industrializados, no trabalho, no entretenimento (parques aquáticos, circos, zoológicos, safaris, e etc) e comércio. Vale também à caça e à pesca, ao uso de animais em rituais religiosos e qualquer outra atividade com o mesmo fim.


Há uma linha tênue entre o vegetarianismo e o veganismo. No primeiro, os adeptos à dieta se baseiam a todos os tipos de alimentos de origem vegetal, embora existam os vegetarianos que consomem leite e ovos (ovo-lacto-vegetarianos). Sua origem remete a civilização do Vale do Indo (noroeste da Ásia Meridional, que hoje é o atual nordeste do Afeganistão e noroeste do Paquistão e Índia) entre 3300-1300 A.C. Os primeiros vegetarianos da história incluíam filósofos indianos, gregos e romano. Na metade do século dezenove, o movimento vegetariano tornou-se significativo na Inglaterra e nos Estados Unidos. O principal argumento de adoção da prática fora através do médico londrino William Lambe, em 1815, que associou os alimentos de origem vegetal como um importante aliado à cura de diversas doenças que acometiam grande parte da população, sendo a principal e maior causadora de óbitos até então, a tuberculose.


Nos Estados Unidos, o ministro presbiteriano e nutricionista Sylvester Graham desenvolveu uma dieta sem carne, apoiando no cardápio dos demais fiéis adventistas o consumo de frutas, verduras, água e pães feitos em casa como um remédio de saúde na década de 1830.


Nesta época várias comunidades veganas se estabeleceram na Inglaterra e nos Estados Unidos. Chegou a ser debatido também alternativas para que o uso de vestimentas e acessórios de origem animal fossem substituídos. A partir daí, o consumo de carne atravessa a questão de saúde e alcança a moralidade.


Nas décadas iniciais do século vinte o vegetarianismo e o veganismo desenvolveram-se. Diversas publicações de professores, médicos, intelectuais e nutricionistas veicularam entre a sociedade para ressaltar a importância que cada dieta traria à vida das pessoas. Há quem preferiu continuar no vegetarianismo e há os que partiram para o veganismo. Mas sempre embasados na questão de respeito aos animais.


Segundo estimativas do Vegan.org, os adeptos ao veganismo conseguem salvar cerca de duzentos animais por ano; um milhão e trezentos mil galões de água e reverter cerca de um milhão e meio de toneladas de carbono emitidos à atmosfera.


Ainda de acordo com a organização sem fins lucrativos, a sustentabilidade está associada ao veganismo pelo fato da agricultura utilizar os animais para trabalho na terra. Maneira ineficiente de produção de alimentos em razão do alto custo com água, fertilizantes e outros recursos que poderiam ser usados diretamente para a produção de alimentos humanos, além da erosão superficial do solo, tornando-a menos eficiente e obrigando a ampliação de territórios agrícolas na derrubada de solos silvestres. Outro ponto é o confinamento de resíduos de animais, colaborando para a poluição das águas subterrâneas e dos rios.


Nota-se a questão da moralidade, não apenas ao consumo de alimentos e demais produtos de origem animal. Mas também ao impacto de todo o meio ambiente.


Para muitos que ainda desconhecem o veganismo, adotar essa mudança impactaria negativamente a própria vida. Seja pelo desconhecimento dos alimentos e produtos disponíveis, seja pela própria postura perante a sociedade. Mas a notícia é que essa prática vem se desenvolvendo dia após dia e tanto grandes empresas quanto o governo estão cientes da possibilidade de melhorias em toda a sociedade.


Um exemplo na prática é a publicação do "Guia Alimentar Para a População Brasileira - 2014" pelo Ministério da Saúde. No capítulo dois "A escolha dos alimentos - Razões Biológicas e Culturais", o texto elucida o impacto dos alimentos de origem animal à nossa saúde: "(...) Alimentos de origem animal são boas fontes de proteínas e da maioria das vitaminas e minerais que necessitamos, mas não contêm fibra e podem apresentar elevada quantidade de calorias por grama e teor excessivo de gordura não saudável (as gorduras saturadas), levando ao risco de obesidade, de doenças do coração e outras doenças crônicas (...). Por sua vez, alimentos de origem vegetal costumam ser boas fontes de fibras e de vários nutrientes e geralmente têm menos calorias por grama do que os de origem animal.


'(...) Exemplos de combinações de alimentos de origem vegetal que se complementam do ponto de vista nutricional são encontrados na mistura de cereais com leguminosas (comum na culinária mexicana) e presente no nosso arroz com feijão), de cereais com legumes e verduras (comum na culinária de países asiáticos e presentes no arroz com jambu do Pará), de tubérculos com leguminosas (comum em países africanos e presente no nosso tutu com feijão) e de cereais ou tubérculos com frutas (comum em várias culinárias e presente no arroz com pequi de Goiás e na farinha de mandioca com açaí da Amazônia). (...)'".


Em pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência e publicada em matéria da BBC Brasil no final do ano de 2018, apontou que 55% dos entrevistados afirmaram consumir mais produtos veganos.


É possível ser adepto ao veganismo. Diversos grupos de discussão e perfis comerciais presentes nas redes sociais abordam temas e oferecem produtos veganos para facilitar ainda mais a transição para este novo estilo de vida.


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